BRASILEIRO CONTA COMO É JOGAR NO OMÃ

omaVisão noturna de Mascate, capital de Omã

Relatório de 2015 da Freedom House, organização não-governamental dedicada aos direitos humanos, classifica Omã como um país sem liberdade. No mesmo sentido, o The Economist, em seu anual ranking sobre democracias pelo mundo, deixa a nação árabe como a 26a mais opressora do planeta. Mesmo nesse cenário crítico para a população, o futebol sobrevive e ainda atrai jogadores estrangeiros em busca de petrodólares.

Fernando Lopes é um exemplo. O zagueiro brasileiro de 29 anos e 1m92 começou a carreira no Paysandu e rodou o Brasil e o mundo atrás do sonho de jogar futebol. Passou por Mirassol, Independente de Limeira, Sport, Bangu, Macaé e Treze por terras brasilis, além de South China (Hong Kong), Dreams Metro Gallery (Hong Kong), Rabotnicki (Macedônia), Tarxien Rainbows (Malta) e Dhofar Salalah (Omã). Nesta temporada é reforço do Bousher, da capital Mascate, na segunda divisão omanense.

oma-2Fernando Lopes durante a apresentação no Bosher

“Aqui é um país árabe, muito fechado mesmo. Não tem balada, bebida, nada… Eu me adaptei rápido, mas não foi fácil. No meu primeiro ano aqui morei no interior, onde é ainda mais fechado, mas o futebol é tranquilo”, relata.

Omã é uma monarquia ditatorial, onde o sultão Qaboos bin Said al Said comanda o país desde 1970, ano em que seu pai morreu. Estado totalitário. O Parlamento, eleito a cada quatro anos pelos cidadãos, tem poderes absolutamente mínimos, se restringindo a sugerir mudanças nas leis do país ao Governo. Partidos políticos são proibidos, assim como críticas ao sultão; O país segue as regras da Sharia e o judiciário também está sob o controle governamental; Não há liberdade de imprensa, o conteúdo da internet é limitado e os críticos são perseguidos.

Em 2013, um blogueiro, Muawiyah Al-Rawahi, criticou a proibição de uma manifestação de professores. Foi detido e encaminhado para um hospital psiquiátrico, onde permaneceu por um mês. No ano anterior, no embalo da Primavera Árabe, protestos aconteceram nas principais cidades clamando por mais liberdade. O Governo prometeu atender diversas reivindicações, mas pouco tempo depois nada fez e prendeu 30 ativistas sem qualquer explicação.

oma-3Torcida lota o estádio Sultão Qaboos, na capital, para acompanhar a seleção omanense

A seleção omanense, inclusive, é treinada por Juan Ramón López Caro, ex-treinador do Real Madrid. “Como já joguei em alguns países, comparo o futebol daqui com o de Hong Kong. Não tem muita técnica, mas sobra correria. Exige muito da parte física. Os brasileiros, com bastante técnica, se sobressaem. A liga aqui é muito boa, até no primeiro ano me surpreendi com o nível dos jogadores locais, não imaginava que eram tão bons. A maioria disputa a Copa da Ásia”, explica Fernando Lopes, que relata inclusive assédio de torcedores nas ruas. “Não é como no Brasil, mas há o reconhecimento. Eles amam o jogador brasileiro”.

Fonte: Uol Esportes – Postado Às 13:03

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Sérgio Leandro

Formado em Administração de Empresas, Especialização em RH, Analista em Esportes.
 
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